Sem ônibus nas ruas, taxistas e mototaxistas apostam em mais passageiros no horário de pico

Sem a tarifa dinâmica, as corridas de táxis pela manhã variaram de R$ 20 a R$ 30 em Campo Grande
| 21/06/2022
- 16:41
Sem ônibus nas ruas, taxistas e mototaxistas apostam em mais passageiros no horário de pico
Foto: Leonardo de França, Midiamax
A greve dos motoristas de ônibus de Campo Grande nesta terça-feira (21), pegou os mais de 160 mil passageiros de surpresa. Vans e motoristas de aplicativo ‘saíram na frente’ e aproveitaram para lucrar com as corridas pela manhã e, ainda sem ônibus nas ruas, os taxistas e mototaxistas apostam na maior demanda de passageiros no horário de pico. Na região da Avenida Bandeirantes, o taxista Valdir da Silva, de 67 anos, disse que pela manhã o movimento de passageiros foi menor que o esperado. Ele comenta que os táxis não tem tarifa dinâmica e, por isso, as corridas não alterariam o valor. “Não mudou nada, inclusive, fiz três corridas na faixa de R$ 20 a R$ 30. Não teve muita alteração em relação à procura, [os passageiros] estão mais acostumados com aplicativo”, disse. A estratégia será ir até pontos de maior concentração de passageiros a tarde para ver se surgem mais corridas. Já o mototaxista Evandersson Ney, contou que para ele o movimento foi normal e ele acredita que a demanda possa ser maior no horário de pico a tarde. “Até o momento fiz oito corridas, acredito que o movimento foi maior nos bairros cedo. Vamos ver se no horário de pico melhora”, pontuou.  

Justiça manda motoristas de volta ao trabalho

O desembargador federal do Trabalho, André Luís Moraes de Oliveira, determinou que o sindicato dos trabalhadores do transporte coletivo de Campo Grande mantenha 80% da frota dos ônibus em circulação. Caso não atenda à decisão, a pena será  diária de R$ 200 mil. A ação foi protocolada pelo Sindicato das Empresas de Transporte Coletivo e Urbano de Passageiros de  na manhã desta terça-feira (21), junto ao TRT-24 (Tribunal Regional do Trabalho da 24ª Região), para barrar a greve dos motoristas do Consórcio Guaicurus, que paralisaram o transporte público mais cedo em Campo Grande. Conforme o desembargador, a greve deflagrada sem aviso prévio pelo STTCU-CG não atende aos requisitos legais previstos na Constituição. Assim, "a greve foi deflagrada sem observância aos ditames legais, sendo, prima facie, abusiva", pontuou o magistrado na decisão. Ainda conforme a decisão, a greve prejudica os serviços essenciais como é o caso do transporte público. "Ressalte-se que as necessidades inadiáveis da comunidade são aquelas que, caso não sejam atendidas, possam colocar em 'perigo iminente a sobrevivência, a saúde ou a segurança da população'", disse o desembargador na decisão. "Pelo exposto, presentes os pressupostos ao desiderato, DEFIRO a LIMINAR a fim de determinar ao suscitado que mantenha o percentual de 80% (oitenta por cento) dos serviços de transporte IMEDIATAMENTE (assim que for intimado), sob pena de multa diária ao sindicato suscitado no valor de R$ 200.000,00 (duzentos mil reais), cuja destinação será oportunamente decidida", conclui a decisão. Por fim, a ordem é para intimar o sindicato com urgência para o cumprimento da decisão.