Paraguai inaugura primeiro trecho asfaltado da Rota Bioceânica ao custo de US$ 443 milhões

Rota Bioceânica ganhou trecho asfaltado de 275 km entre Carmelo Peralta e Loma Plata; ponte sobre o Rio Paraguai em Porto Murtinho integra projeto

Humberto Marques Publicado em 25/02/2022, às 18h25

Trecho de Carmelo Peralta, na fronteira com MS, a Loma Plata tem 275 km de extensão - MOPC/Divulgação
O Governo do Paraguai inaugurou na manhã desta sexta-feira (25) o primeiro trecho asfaltado do corredor bioceânico em seu território, em uma extensão de 275,73 km, partindo da fronteira com o Brasil em direção aos limites com a Argentina. A parte da Rota Bioceânica vai de Carmelo Peralta, no Departamento do Alto Paraguai e vizinha a Porto Murtinho (a 473 km de Campo Grande), até Loma Plata, no Departamento de Boqueirón.

Trata-se da concretização de um projeto que, nos últimos anos, mobilizou autoridades brasileiras e, especificamente, de Mato Grosso do Sul.

O corredor rodoviário ligando o porto de Santos (SP), no Oceano Atlântico, aos chilenos no Pacífico, encurta distâncias e favorece a logística, tendo especial peso para se atingir o mercado asiático a partir do Chile –as estimativas são de viagens até 2 semanas mais curtas, já que, hoje, produtos que saem de Santos precisam contornar a América do Sul de navio.

Rota ligará o Porto de Santos ao litoral do Pacífico. (Imagem: Reprodução)
Rota ligará o Porto de Santos ao litoral do Pacífico. (Imagem: Reprodução)
“Graças a este circuito, estima-se uma economia de 8.000 quilômetros, 14 dias de frete e cerca de US$ 1.000 por contêiner para os produtores”, destacou o MOPC (Ministério de Obras Públicas e Comunicações do Paraguai) ao frisar que, para Mato Grosso do Sul, cuja produção de grãos é 4 vezes maior que a de todo o Paraguai, o corredor representa uma redução de até 30% nos custos de logística com a produção.

Da mesma forma que é apreciada por Mato Grosso do Sul, a obra é celebrada no Chaco Paraguaio como “rodovia de primeiro mundo” e “Canal do Panamá Terrestre”. A pavimentação teve início em 11 de fevereiro de 2019, sendo concluída 2 meses antes da previsão original, que seria em abril.

O Consórcio do Corredor Rodoviário Bioceânico recebeu US$ 443 milhões pela obra que, além do asfalto, conta com 15 travessias de fauna para conter o chamado “efeito barreira” –que represa animais de um único lado da rodovia– e, desta forma, permite a movimentação das espécies.

‘Ponte Murtinho’
Agora, a obra do Corredor Bioceânico avançará em duas frentes no Paraguai: a primeira, na ponte entre Carmelo Peralta e Porto Murtinho, integrando a nova rodovia com a BR-267, e outro trecho de cerca de 270 km em direção à Argentina –de onde avançará em direção aos portos de Antofagasta e Iquique, no Chile.

[Pedra fundamental da ponte seria lançada oficialmente em dezembro. (Foto: Marcos Ermínio/Arquivo)]


Pedra fundamental da ponte seria lançada oficialmente em dezembro. (Foto: Marcos Ermínio/Arquivo)
A ponte sobre o Rio Paraguai em Porto Murtinho deveria ter seu lançamento realizado em 13 de dezembro, porém, em razão do mau tempo, o presidente Jair Bolsonaro –que participaria do ato– não pode pousar na fronteira. Sua agenda acabou convertida em um passeio pelo Mercadão Municipal de Campo Grande, onde prometeu uma nova data para lançar a obra.

Estimada em cerca de US$ 100 milhões, a ponte ficará a cerca de 5 km da sede de Porto Murtinho, contará com vão que permitirá a continuidade da navegação e terá ainda sistema anti-suicídio. Os recursos serão bancados pela Itaipu Binacional.