Motorista que se envolveu em briga de trânsito com delegado-geral rebate versão de que cartão com imagens da ação não funcionava

A jovem, de 24 anos, rebateu as informações da Polícia Civil de que houve falha no cartão de memória de um câmera que poderia ter gravado a operação.

Por g1 MS

05/03/2022 15h34  Atualizado há 15 horas


Motorista rebate versão de que cartão com imagens da ação não funcionava

Motorista rebate versão de que cartão com imagens da ação não funcionava

A motorista que foi perseguida pelo ex-delegado-geral da Polícia Civil de Mato Grosso do Sul, Adriano Garcia Geraldo, rebateu as informações de que a perícia técnica não ter conseguido acessar às imagens que poderiam ter sido gravadas do carro da jovem, de 24 anos. Veja o vídeo acima.

A jovem rebateu a informação da investigação e mostrou outras imagens antigas, alegando que a câmera funcionava "perfeitamente bem". “Nunca tive problema algum, tudo perfeitamente funcionando. Eles que não sabem fazer o negócio direito”, fala a condutora.

“Saiu no jornal falando que as imagens estão corrompidas, e o que podemos ver aqui… Isso de dezembro, filmagens de quando comprei a câmera, tem tudo. 155 vídeos, 91 vídeos”, diz.

A jovem, na sequência de vídeos, mostra ainda todas as pastas onde ficaram salvas no computador as imagens descarregadas antes do dia 16 de fevereiro, quando o delegado parou o veículo dirigido por ela a tiros.

Jovem mostra imagens anteriores. — Foto: Reprodução/RedesSociais

Passo a passo do inquérito

O inquérito policial foi aberto para apurar crimes de desobediência e perigo para terceiros. A motorista segue como autora do crime, enquanto o delegado aprece como vítima.

Sem as imagens da Go-Pro de dentro do carro dela, que poderiam ter registrado tudo que aconteceu de fato, a investigação agora depende de análise de outras imagens captadas por câmeras de segurança.

De acordo com o delegado, registros de pelo menos dois ângulos serão encaminhadas para a perícia. O prazo legal inicial é de 30 dias para a conclusão da apuração policial.

Entenda o caso

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Ainda na noite do dia 16 de fevereiro, uma estudante, de 24 anos, foi presa em flagrante após a perseguição no trânsito envolvendo o delegado-geral. A jovem foi liberada após assinar termo de responsabilidade. Assista ao vídeo acima.

Segundo Adriano Garcia, ele se identificou como policial através dos sinais luminosos e sonoros do veículo, solicitando que a jovem parasse o carro, mas ela não obedeceu e fugiu fazendo 'manobras perigosas'. De acordo com nota encaminhada à imprensa e publicada no site da polícia, o delegado então perseguiu a jovem e colocou o veículo que estava conduzindo na frente do carro da jovem, forçando a motorista a parar.https://89b305c45bb65555a65a5ba1b3d52543.safeframe.googlesyndication.com/safeframe/1-0-38/html/container.html

'Conduta atípica'

O professor da Fundação Getúlio Vargas (FGV), especialista em segurança pública e membro do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, Rafael Alcadipani, descreve a atitude do delegado-geral da Polícia Civil de Mato Grosso do Sul, Adriano Garcia Geraldo, ao atirar contra o carro da estudante.

"Ele deveria ter seguido este carro com tranquilidade, chamado por apoio se ele soubesse que tinha perigo ou risco e acionado a Polícia Militar, que é quem tem a regulamentação de trânsito, não a Polícia Civil. Então, parece que tudo está errado", detalha.

Para o professor, a abordagem, não tem nenhuma técnica e o delegado não teria seguido nenhum protocolo.