Justiça mantem em MS seis advogados presos por suposta ligação com o PCC

Conforme as apurações, detidos tinham como tarefa passar informações aos criminosos presos, inclusive de atentados contra autoridades

CELSO BEJARANO

26/03/2022 17:14

A justiça manteve encarcerados os seis advogados que atuam em Campo Grande e que, supostamente, teriam ligação com integrantes do chamado PCC (Primeiro Comando da Capital), facção criminosa, a maior do país, com menos 30 mil que agem dentro e fora dos presídios.

O implicados foram detidos ontem, sexta (25), e a justiça decidiu mantê-los presos, hoje, sábado, em audiência de custódia. Eles foram acusados de agirem como mensageiros dos criminosos que já cumprem prisão.

Além dos advogados foram detidos na operação um servidor do judiciário, outro da defensoria pública, e um policial penal. A investida contra a organização ocorreu, além de Campo Grande, nas cidades de Dourados, Jardim e Jaraguari.

Justiça mantem em MS 6 advogados presos por suposta ligação com o PCC - Reprodução

Ao menos até a tarde deste sábado, nenhum nome dos supostamente envolvidos tinha sido divulgado.

Batizada como courrier, palavra francesa que significa mensageiro, a operação foi chefiada pelo Gaeco (Grupo de Atuação de Repressão ao Crime Organizado), um dos braços do MP-MS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul).

De acordo com nota divulgada pela assessoria de imprensa do MP-MS, o Gaeco cumpriu 38 mandados, mas não especificou se todos tratavam-se de prisões.

Ainda conforme o comunicado da assessoria, as investigações do Gaeco indicaram a formação do núcleo “Sintonia da Gravata”, que seria uma das células do PCC, na qual advogados estariam recorrendo às suas prerrogativas constitucionais para transmitirem recados de faccionados presos a outros membros da organização criminosa, inclusive referentes a planejamento de atentados contra a vida de agentes públicos, dentre os quais, um promotor do Gaeco e um juiz que atua em Campo Grande.

Advogados que defendem os detidos disseram que têm tido dificuldades em obter acesso  à denúncia e isso retardou a produção dos pedidos de soltura.

A OAB-MS (Ordem dos Advogados do Brasil), em MS e a Defensoria Pública de MS informaram por nota que acompanham as investigações.