IBGE: Em MS, construção civil gera R$ 3,3 bilhões em valor de incorporações, obras e serviços e cresce 19,3%

A média paga aos trabalhadores é de dois salários mínimos, o dobro do piso salarial brasileiro.

ALESSANDRA MESSIAS

15/06/2022 17:30

Nem a pandemia Covid-19 assustou o setor da construção civil que continuou em pleno desenvolvimento. Pesquisa Anual da Indústria da Construção Civil 2020 divulgada, hoje (15), pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) aponta que no Mato Grosso do Sul o setor cresceu 19,3%. A indústria da construção brasileira gerou R$ 289 bilhões em valor de incorporações, obras e serviços da construção. Mato Grosso do Sul foi responsável por R$ 3,3 bilhões. No valor das incorporações, obras e/ou serviços da construção, Mato Grosso do Sul apresentou 1,1% no índice e saiu de 18º colocado para 19º no ranking nacional. Os líderes no ranking foram os estados de São Paulo que teve 26,9%, Minas Gerais somou 12,4% e o Paraná atingiu 7,8%. Acre ficou em último colocado 0,1%. No país, 93,6% se refere ao valor de obras e/ou serviços de construção, e 6,4% incidiu sobre receita bruta de construtores de imóveis. O presidente da Associação dos Construtores de Mato Grosso do Sul (Acomasul) e Associação dos Lojistas de Materiais de Construção (Acomac), Diego Dalastra, disse que a pesquisa leva em consideração as obras de infraestrutura. "Durante a pandemia, Mato Grosso do Sul foi privilegiado porque o setor foi reconhecido como atividade essencial e teve tratamento diferenciado no setor de serviços paralisando as atividades apenas 15 dias, seguindo protocolos de medidas sanitárias. Continuamos trabalhando e produzindo em todo o período", enfatiza Dalastra.

Empresas ativas

No fim de 2020, a pesquisa aponta que estavam ativas em Mato Grosso do Sul 939 empresas. Já, no ano de 2019 eram 787 empresas. No Centro-Oeste, Goiás teve 2.151 empreendimentos abertos, Mato Grosso contabilizou 1.395 e Distrito Federal somou 956. No País, em 2019, estavam abertas 55.565 empresas e um ano depois, já somavam 58.162 empreendimentos da construção civil e crescimento de 4,7%. "O segmento de obras na parte residencial cresceu 5%. A construção não deixou de empregar. Cresceu a demanda mesmo com inflação de mais de 48% no INCC e o índice não é maior porque a mão de obra não aumentou. Temos que citar também que o preço dos insumos subiu assustadoramente", explicou Diego Dalastra. Mato Grosso do Sul também apresentou aumento de 10,6% de pessoas em ocupação na construção. Em 2019 eram 19.323 pesssoas e em 2020 somavam 21.379 trabalhadores. O que possibilitou o estado a protagonizar o 18º lugar no ranking  brasileiro.

Salários

No ano de 2020, Mato Grosso do Sul apareceu em 16º lugar no ranking brasileiro de pagamento feito na remuneração dos trabalhadores da construção civil. Foram pagos R$ 640,5 milhões de reais em salários, elevação de 3,6% se comparado ao ano anterior. MS, assim, configurou a 16ª posição no ranking entre as Unidades da Federação. Diego Dalastra explica que a média salarial não é "ruim". "A média é de dois salários mínimos, o dobro do piso salarial brasileiro. Mas, o setor continua com alta empregabilidade de autônomos como azulejistas, carpinteiros, eletricistas, existem demandas extras, e esses empregados não aparecem nas estatísticas", justificou.

Custos em queda

Cerca de R$ 1.129.134 bilhão representam os custos das obras em 2020, um decréscimo de 4,8% na comparação com o ano anterior que totalizou R$ 1.186.194 bilhão. Mato Grosso do Sul que estava na 17ª posição no ranking brasileiro em 2019, caiu para a 18ª no ano seguinte.