Arrombadores de cofre preferiam assaltar agências da Caixa Econômica Federal

Acusados tentaram invadir agência da Via Park em 2020 e alegaram lentidão da Polícia Federal para investigar os casos

NATÁLIA OLLIVER

07/04/2022 18:52

Quadrilha responsável pelo assalto ao cofre do Bradesco no último domingo (3), preferia agências da Caixa Econômica Federal para realizar crimes. Os acusados tentaram invadir a agência bancária da Vila Park em Campo Grande em 2020, mas não obtiveram sucesso.

Segundo um dos assaltantes, a escolha pela Caixa foi motivada pela lentidão da Polícia Federal (PF) para apurar as ocorrências. 

Banco alvo da tentativa dos assaltantes em 2020 na capital - Gerson Oliveira

Os cinco criminosos Everton Silva de Souza, Edemilson de Custódio (Dimy), Elizeu Gomes da Rocha (Gordão), Clóvis Borgmann e Douglas Ferreira de Camargo (DG) também arquitetaram planos para invadir os bancos da mesma agência em Paranaíba, Maracaju e Aquidauana. Nesta última cidade o grupo conseguiu R$ 700 mil. 

De acordo com Everton, o técnico de segurança embarcou no mundo do crime pela influência de Elizeu, que alegou possuir especialidades em cortar cofres. O encontro aconteceu na cidade de São Paulo, local em que começaram a ser pagos para fazer o mapeamento das agências. 

Everton e Edemilson estão presos, Douglas, Gordão e Clóvis continuam foragidos.

A polícia descobriu o nome de DG pelo registro do hotel onde o assaltante ficou hospedado na Capital. Os outros dois foram descobertos durante a conversa com o segundo preso, Edemilson. 

Em 2021 o bando passou a planejar grandes roubos na agência bancária Bradesco, onde tentaram realizar uma operação parecida na cidade de Água Clara. Novamente a invasão fracassou. A primeira ação de reconhecimento do local foi realizada no sábado (2), mas o grupo só conseguiu acesso ao cofre no domingo (3).

Segundo Everton, o esquema também envolvia pessoas apresentadas por Dimy de Santa Catarina e Mato Grosso. 

O acusado lamenta o envolvimento nos crimes e revela que começou a fazer parte do grupo apenas depois da tentativa de assalto em Maracaju. "Cai em tentação", diz em depoimento.

Conforme o réu, Dimy teria dito que o ritmo de investigação e apuração da PF era lento, por isso, Everton resolveu ser membro ativo do plano no assalto em Aquidauana. 

O valor roubado da agência teria sido destinado à compra de imóveis, inclusive, a residência local onde um dos caros foi encontrado. Além disso, o dinheiro foi usado na compra de caros e acerto de contas com “agiotas”. 

Everton foi preso em Aparecida do Tabuado com R$ 57 mil escondidos. Outros R$ 50 mil foram encontrados camuflados na despensa da residência onde morava com a esposa. 

 

Esposa de Everton

A esposa de Everton (54) é instrumentista cirúrgica e alega que não sabia dos delitos cometidos pelo marido. O casal está junto há três anos e se conheceram no local de trabalho da mulher.

De acordo com a Conjugê, a casa onde os dois moram foi financiada.

“Everton deu R$65 mil de entrada. Disse que era de um acerto trabalhista.”, declara em relatório.

A esposa, grávida de oito meses de Everton, disse que no sábado o réu saiu e voltou às 5 da manhã. “Saiu com o Celta e voltou com o Prima, ele disse que era do Dimy”. 

No mesmo dia, ela retornou à casa por volta das 19 horas da noite. No momento, o acusado falou que viajaria a trabalho e voltaria na segunda-feira.

“Ele disse que deixaria um dinheiro para o enxoval do bebê e para os suprimentos da casa”, revela. 

Conforme a companheira de Everton, Dimy esteve na casa no domingo e retirou alguns objetos do Prisma. 

“Nunca perguntei ao Everton sobre as viagens de finais de semana, pra mim, eram para instalações de sistema de segurança.” termina. 

O Correio do Estado tentou entrar em contato com a assessoria do Banco Bradesco, mas até o fim dessa reportagem não obteve respostas. Por telefone funcionários relataram não poder relator o ocorrido.