‘Ver seus animais morrendo é a coisa mais triste’, diz suinocultor que avalia prejuízos após protestos

Em MS, cerca de 40 mil animais deixaram de ser abatidos no período de greve dos caminhoneiros. Sindicato diz que consequências podem ser piores.


Por TV Morena

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riadores de suínos, em Mato Grosso do Sul, ainda calculam os prejuízos do período de paralisação dos caminhoneiros. Em algumas granjas, a alimentação precisou ser racionada, entre outros reflexos. No município de São Gabriel do Oeste, por exemplo, 14 mil animais deixaram de ser abatidos neste período.

Em um granja da cidade, 2,5 mil animais estão em fase de engorda, período em que a alimentação precisa ser reforçada. No entanto, não é isto que está acontecendo. A ração precisou ser racionada e os silos vazios mostram a preocupação do criador.

“Hoje ele [animal] está comendo 2 kg ou 2kg e meio de ração, mas, normalmente ele comeria à vontade. O cocho sempre fica cheio. Hoje não estou fornecendo nada, porque você mesmo viu que os meus três silos estão vazios. A gente todo dia dava um pouquinho para eles terem acesso a mínima quantidade, não tratava no cocho, tratava no chão pra que todos eles tivessem acesso ao mesmo tempo, porque se dá aquele pouco no cocho só os dominantes iam comer e os outros iam passar fome”, afirmou o suinocultor Roque Luiz Buzarello.

O pouco de farelo de milho que sobrou foi misturado com sal para dar aos animais. A disputa entre eles é grande, para garantir um pouco de alimento e, mesmo assim, alguns ficam sem comida. “Hoje você vê que o animal está fino, no estômago não tem quase nada e ele fica ao redor do cocho, como você consegue ver, esperando que a gente coloque alguma coisa”, explicou.

Buzarello diz ainda que nunca tinha passado por este tipo de situação. “Nem imaginava passar por essa fase, até porque moramos em um cidade que produz a soja e o milho necessário pra toda nossa suinocultura aqui”, lamentou.

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Escassez de oferta está provocando alta nos preços dos suínos em MS, aponta Famasul (Foto: Reprodução/TV Morena)

O suinocultor também comentou que a remuneração ocorre em função de ganchos. “Nosso cálculo é tantos quilos de ração para tantos quilos de carne. Hoje a gente já tem perdas, que se o animal não está se alimentando adequadamente, ele não está convertando então vamos sentir isso só lá no abate”, comentou.

É que o farelo de soja e os núcleos de minerais, que também fazem parte da alimentação dos animais, sendo eles processados em indústrias fora dos municípios e, por conta da paralisação, não chegaram até as granjas. Além disto, o abate foi interrompido. Cerca de 40 mil animais deixaram de ser abatidos em todo o estado neste período.

O diretor administrativo da Cooperativa Agropecuária São Gabriel do Oeste (Coasgo), Ivonei Scotton, disse que os 110 suinocultores da região podem sofrer consequências ainda piores. “O frigorífico aqui abate 3,5 mil animais pro dia e nós estamos com 14 mil animais em déficit de abate e lembrando que, no campo, nós temos 250 mil animais esperando por essa ração chegar pra poder alimentá-los.”

No caso do suinocultor Zélio Pessato, o prejuízo também é para o criador que faz o ciclo completo de cria, recria e engorda. Os animais dele também estão se alimentando apenas com milho que sobrou no estoque e em menor quantidade. “Eles comem 3 kg por dia e estamos dando 1,5 kg por dia só para manter, por isto estão perdendo peso. Os 1,2 mil animais que estavam prontos para o abate permanecem na granja”, finalizou.

A longo prazo, o período de restrição na dieta dos animais também pode causar consequências na maternidade. “As matrizes sentem desde a comertura que vão rejeitar o sêmen, por falta de alimento, depois vão parir leitões pequenos e mais magros, vão dar pouco leite. É uma perda que demora um ano para recuperar. Agora ver seus animais morrendo de fome, é a coisa mais triste do mundo. Eu nunca vi isto na minha vida”, finalizou.

riadores de suínos, em Mato Grosso do Sul, ainda calculam os prejuízos do período de paralisação dos caminhoneiros. Em algumas granjas, a alimentação precisou ser racionada, entre outros reflexos. No município de São Gabriel do Oeste, por exemplo, 14 mil animais deixaram de ser abatidos neste período.

Em um granja da cidade, 2,5 mil animais estão em fase de engorda, período em que a alimentação precisa ser reforçada. No entanto, não é isto que está acontecendo. A ração precisou ser racionada e os silos vazios mostram a preocupação do criador.

“Hoje ele [animal] está comendo 2 kg ou 2kg e meio de ração, mas, normalmente ele comeria à vontade. O cocho sempre fica cheio. Hoje não estou fornecendo nada, porque você mesmo viu que os meus três silos estão vazios. A gente todo dia dava um pouquinho para eles terem acesso a mínima quantidade, não tratava no cocho, tratava no chão pra que todos eles tivessem acesso ao mesmo tempo, porque se dá aquele pouco no cocho só os dominantes iam comer e os outros iam passar fome”, afirmou o suinocultor Roque Luiz Buzarello.

O pouco de farelo de milho que sobrou foi misturado com sal para dar aos animais. A disputa entre eles é grande, para garantir um pouco de alimento e, mesmo assim, alguns ficam sem comida. “Hoje você vê que o animal está fino, no estômago não tem quase nada e ele fica ao redor do cocho, como você consegue ver, esperando que a gente coloque alguma coisa”, explicou.

Buzarello diz ainda que nunca tinha passado por este tipo de situação. “Nem imaginava passar por essa fase, até porque moramos em um cidade que produz a soja e o milho necessário pra toda nossa suinocultura aqui”, lamentou.

Escassez de oferta está provocando alta nos preços dos suínos em MS, aponta Famasul (Foto: Reprodução/TV Morena)Escassez de oferta está provocando alta nos preços dos suínos em MS, aponta Famasul (Foto: Reprodução/TV Morena)

Escassez de oferta está provocando alta nos preços dos suínos em MS, aponta Famasul (Foto: Reprodução/TV Morena)

O suinocultor também comentou que a remuneração ocorre em função de ganchos. “Nosso cálculo é tantos quilos de ração para tantos quilos de carne. Hoje a gente já tem perdas, que se o animal não está se alimentando adequadamente, ele não está convertando então vamos sentir isso só lá no abate”, comentou.

É que o farelo de soja e os núcleos de minerais, que também fazem parte da alimentação dos animais, sendo eles processados em indústrias fora dos municípios e, por conta da paralisação, não chegaram até as granjas. Além disto, o abate foi interrompido. Cerca de 40 mil animais deixaram de ser abatidos em todo o estado neste período.

O diretor administrativo da Cooperativa Agropecuária São Gabriel do Oeste (Coasgo), Ivonei Scotton, disse que os 110 suinocultores da região podem sofrer consequências ainda piores. “O frigorífico aqui abate 3,5 mil animais pro dia e nós estamos com 14 mil animais em déficit de abate e lembrando que, no campo, nós temos 250 mil animais esperando por essa ração chegar pra poder alimentá-los.”

No caso do suinocultor Zélio Pessato, o prejuízo também é para o criador que faz o ciclo completo de cria, recria e engorda. Os animais dele também estão se alimentando apenas com milho que sobrou no estoque e em menor quantidade. “Eles comem 3 kg por dia e estamos dando 1,5 kg por dia só para manter, por isto estão perdendo peso. Os 1,2 mil animais que estavam prontos para o abate permanecem na granja”, finalizou.

A longo prazo, o período de restrição na dieta dos animais também pode causar consequências na maternidade. “As matrizes sentem desde a comertura que vão rejeitar o sêmen, por falta de alimento, depois vão parir leitões pequenos e mais magros, vão dar pouco leite. É uma perda que demora um ano para recuperar. Agora ver seus animais morrendo de fome, é a coisa mais triste do mundo. Eu nunca vi isto na minha vida”, finalizou.