Venezuela liberta dois presos que trabalhavam com petróleo americano no país

Decisão acontece dias após reunião do líder venezuelano, Nicolás Maduro, e representantes dos EUA. O embargo a Caracas pode ser retirado em breve, dizem fontes.

Por g1

08/03/2022 22h51  Atualizado há 4 horas

O presidente da Venezuela, Nicolas Maduro, durante entrevista coletiva no Palácio Miraflores, em Caracas, na segunda-feira (16) — Foto: Reuters/Leonardo Fernandez Viloriahttps

Venezuela libertou da prisão, nesta terça-feira (8), dois ex-funcionários americanos que trabalhavam em uma subsidiária petrolífera dos EUA que atuava na país sul-americano, informou a agência de notícias Reuters.

Entre eles está Gustavo Cárdenas, ex-executivo da Citgo, subsidiária de refino dos Estados Unidos da petrolífera estatal Petróleos de Venezuela SA, foi libertado nesta terça-feira, segundo fontes.

A medida ocorreu poucos dias depois que Maduro se reuniu com altos funcionários dos EUA que estão considerando suspender as sanções petrolíferas a Caracas. Nesta terça, o presidente Joe Biden proibiu importação do petróleo russo em reação à guerra na Ucrânia.

Cárdenas foi um dos seis executivos da Citgo presos durante uma viagem à Venezuela em novembro de 2017 sob o que o governo dos EUA chamou de acusações forjadas de corrupção.

“Decidimos reativar o processo de diálogo nacional”, disse Maduro na segunda-feira na televisão estatal. “Este diálogo deve fornecer todas as garantias políticas para os próximos anos", completou.

Não houve nenhuma palavra imediata sobre o paradeiro dos detidos libertados, embora se esperasse que fossem levados da Venezuela para os Estados Unidos sem demora.

Washington pediu a libertação de pelo menos nove homens, incluindo aqueles conhecidos como "Citgo 6", dois ex-Boinas Verdes e um ex-fuzileiro naval dos EUA.

Embargo americano à Rússia

Restrição dos EUA ao petróleo russo: quais podem ser as consequências?

https://imasdk.googleapis.com/js/core/bridge3.503.0_pt_br.html#goog_50892214Ativar som

Restrição dos EUA ao petróleo russo: quais podem ser as consequências?

A Casa Branca impôs nesta terça-feira à Rússia um embargo na compra de gás, petróleo e carvão do país liderado por Putin.https://7966ab75736144b730be32ef9a2bf434.safeframe.googlesyndication.com/safeframe/1-0-38/html/container.html

“Os Estados Unidos estão atacando a principal artéria da economia russa”, disse Joe Biden. Ele anunciou que baniu todas as importações russas de petróleo, gás natural e carvão. A medida entra em vigor imediatamente, com uma janela de 45 dias para contratos que já tinham sido firmados, e tem apoio dos dois partidos, Democrata e Republicano.

Em 2021, os EUA compram cerca de 700 mil barris de petróleo da Rússia por dia. É pouco: 8% do total do que os americanos precisam. Mas isso não quer dizer que o preço do petróleo não vá aumentar e trazer consequências para o mundo todo, de acordo com Fernando Valle, especialista em petróleo e gás nos Estados Unidos.

Biden anuncia restrição ao petróleo russo — Foto: REUTERS/Kevin Lamarque

Biden anuncia restrição ao petróleo russo — Foto: REUTERS/Kevin Lamarquehttps://7966ab75736144b730be32ef9a2bf434.safeframe.googlesyndication.com/safeframe/1-0-38/html/container.html

Biden anunciou estratégias para conter o aumento do preço. A primeira é liberar petróleo da reserva estratégica americana: 60 milhões de barris que estão estocados em tanques subterrâneos na Louisiana e no Texas.

“O problema é que 60 milhões de barris não chega nem a um dia da demanda global de petróleo. Então o impacto é muito transiente, não tem impacto prolongado no preço”, afirma Fernando Valle.

Repercussão interna

O envolvimento com Maduro, um inimigo de longa data dos EUA, também teve como objetivo avaliar se a Venezuela está preparada para se distanciar da Rússia.

Entretanto, o governo Biden enfrentou fortes críticas no Capitólio por seu alcance a Maduro, que está sob sanções dos EUA por abusos de direitos humanos e repressão política.

O senador Robert Menendez, colega democrata de Biden e presidente do Comitê de Relações Exteriores do Senado, pediu à Casa Branca que não busque um acordo com a Venezuela.

Maduro, disse ele em um comunicado, “é um câncer para o nosso hemisfério e não devemos dar nova vida ao seu reinado de tortura e assassinato”.

Os Estados Unidos reconheceram em 2019 o líder da oposição Juan Guaidó como o presidente legítimo do país após a reeleição de Maduro em 2018, que os governos ocidentais consideraram uma farsa.