TERMINAL DE ÔNIBUS – Propina de R$ 150 liberava ambulantes de fiscalização

“Taxa” era exigida de cada vendedor irregular durante as fiscalizações realizadas nos locais

8 NOV 2018Por LUANA RODRIGUES E THIAGO GOMES
Ambulantes misturam-se aos usuários do transporte coletivo nos terminais de transbordo - Foto: Bruno Henrique / Correio do Estado
Fiscais da Agência Municipal de Trânsito (Agetran) investigados pelo Ministério Público Estadual (MPE) cobravam R$ 150 para que um vendedor ambulante irregular entrasse nos terminais de transbordo de ônibus urbanos da Capital. As denúncias estão sendo apuradas pelo promotor de Justiça Humberto Lapa Ferri, da 31ª Promotoria de Justiça, que instaurou procedimento prepatório para investigar prática de improbidade administrativa, supostamente cometida pelos servidores, que receberiam “propina” dos ambulantes para fazerem “vista grossa” na fiscalização dos terminais. Segundo as informações, pelo menos, três fiscais, dos 13 responsáveis pelo serviço, já estariam apontados como participantes do esquema, que vinha ocorrendo desde o fim do ano passado. A “taxa” de R$ 150 era cobrada dos ambulantes irregulares a cada fiscalização que os servidores realizavam nos terminais de ônibus. O MPE está colhendo documentos e depoimentos de vendedores regularizados e de outras testemunhas, e também requisitou da Agetran a identificação dos fiscais que vinham desenvolvendo esse trabalho nos terminais. Paralelamente, oficiou à Delegacia Geral de Polícia Civil, com requisição de instauração de inquérito, visando apurar eventual ocorrência de crimes de corrupção passiva e/ou ativa. REGULARES O sistema de transporte coletivo de Campo Grande é formado por oito terminais – Moreninhas, Guaicurus, Hércules Maymone, General Osório, Nova Bahia, Júlio de Castilhos, Bandeirantes e Aero Rancho. Em todos eles, além de lanchonetes, há vendedores ambulantes trabalhando com alimentação – salgados, biscoitos, doces e bebidas (refrigerante, suco e água) – até itens diversos, como títulos de capitalização, meias, aparelhos eletrônicos e acessórios. Para o Consórcio Guaicurus, o comércio atrapalha o dia a dia dos mais de 200 mil usuários que passam pelos terminais todos os meses.