Solteirice na pandemia despertou carência, mas ensinou amor-próprio

Solteiros de MS hoje conseguem celebrar a data que marca o status de relacionamento

João Ramos Publicado em 15/08/2021, às 07h30

Escolha da solteirice já era tendência - (Foto: Reprodução, Meme)

A carência nunca esteve tão em evidência como durante a pandemia do coronavírus; pelo menos é o que dizem solteiros ouvidos pelo Jornal Midiamax. Durante o isolamento, a falta do aconchego e de alguém para "dormir junto" deixou muita gente abalada, mas ensinou sobre se amar.

Sim, o amor-próprio está no ar! Mesmo que Tom Jobim tenha dito que é impossível ser feliz sozinho, há quem prove o contrário. Tanto que o calendário tem uma data para celebrar a escolha de ser só. No Brasil, a ocasião é comemorada oficialmente neste domingo, dia 15 de agosto.

Com os encontros restritos devido à pandemia, a exigência de protocolos como o uso de máscara acabou afastando mais as chances de encontrar um par perfeito. Segundo dados do IBGE, o coronavírus fez subir o número de solteiros com crescimento de 18,7% no ano passado. Mas a escolha da solteirice já era uma tendência: em dez anos, o número dos solitários cresceu de 10,4% para 14,6%.

"Quase entrei em depressão. Terminei meu relacionamento em fevereiro, um mês antes da pandemia começar em 2020, e a falta que ele me fez foi muita, principalmente nos dias frios", declarou a estudante de direito, Milena ao MidiaMAIS.

A sofrência foi compartilhada por muitos outros jovens em Mato Grosso do Sul. "Nossa, eu já tava há 5 meses sem namorar ninguém, quando começou então... aí que acabou de vez. Sem chance. Com asma, eu não podia me arriscar, mas passei vontade, a carência bateu forte muits vezes", contou Júnior, morador de Campo Grande à reportagem.

Na contramão, Samara, de 26 anos, que nunca namorou, afirma que o calor humano de uma relação não lhe fez qualquer falta, e que só lhe ajudou a desenvolver ainda mais seu amor-próprio. "Nada mudou pra mim, apenas evidenciou que eu sou minha melhor companhia e tá tudo certo, se tiver que ser, será", disse ela.

Apesar do sofrimento e da carência, Milena e Júnior também aprenderam com a solidão nesse período. Mais de um ano após o início da crise e hoje já vacinados, os dois relatam que passaram a se amar mais com o tempo. "Eu não sabia o que era isso, colocava sempre as minhas expectativas no outro. Aproveitei a pandemia e comecei a fazer terapia para desenvolver isso, amor-próprio", conta Milena.

Júnior foi vacinado em maio e, assim que recebeu a imunização, se permitiu encontrar uma pessoa que já estava paquerando há meses. Ainda solteiro, ele tem a perspectiva de logo entrar em um relacionamento. "Tá dando certo, a gente tá se gostando, mas nada oficial. Não vamos pular etapas, vamos com calma", diz ele.

Ele afirma que, durante a pandemia, sentiu uma necessidade maior de estar sozinho. "Parece besteira, sabe, mas é verdade. Eu nunca achei que fosse capaz de pensar isso, de ser sozinho na vida, mas essa experiência foi muito boa. Eu realmente entendi que preciso me amar primeiro antes de amar alguém, que a vida é isso e que quem sempre vai estar comigo sou eu", declara.

Segura de si, Samara relata que não precisou aprender o que já sabia. "Espero que a pandemia tenha sido uma oportunidade para as pessoas repensarem e enxergarem que não precisam de ninguém. Ser solteira é muito bom, é a liberdade de fazer o que quiser sem prestar contas à ninguem", conclui.

Questionados se vão celebrar este domingo, 15 de agosto, dia do solteiro, Milena, Júnior e Samara dizem que não e afirmam que será um dia normal como qualquer outro, embora acreditem que há sim motivos para agradecer pelo status do relacionamento e o que ele ensinou.