Setor reage e exportações de carne bovina superam R$ 2 bilhões

Mesmo com embargos e Operação Carne Fraca, vendas tiveram alta de 6,6%

11 JAN 2019 Por ROSANA SIQUEIRA E EDUARDO FEGATTO
Abrafrigo espera alta de 5% das vendas este ano - Foto: Divulgação
A cadeia da carne bovina superou um ano difícil para o setor e ainda fechou as contas no positivo. Mesmo com as operações deflagradas pela Polícia Federal, como a Carne Fraca, escândalos em grandes grupos frigoríficos e embargos à exportação de carne em Mato Grosso do Sul, o Estado conseguiu fechar 2018 com crescimento de 6,6% em receita gerada pela comercialização de carne ao mercado estrangeiro. Foram movimentados US$ 546 milhões no ano passado, diante de US$ 512 milhões do ano anterior. Em reais, o valor supera os R$ 2 bilhões. De acordo com a Associação Brasileira de Frigoríficos (Abrafrigo), que compilou números da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), os envios brasileiros no ano passado superaram em 10% o total de 2017. Em receita, houve incremento de 8%, para US$ 6,5 bilhões. O volume movimentado no ano passado superou o recorde anterior, de 1,56 milhão de toneladas, estabelecido em 2014. Mas a receita ficou aquém dos US$ 7,2 bilhões daquele ano, que teve “melhores preços para o produto brasileiro”. Conforme a Associação Brasileira de Frigoríficos (Abrafrigo), os russos adquiriram apenas 7 mil toneladas de carne bovina do Brasil em 2018, após 150 mil em 2017. O embargo se deveu a lotes contendo o aditivo ractopamina, proibido naquele país. Mas, segundo a associação, um aumento das compras por parte da China compensou a ausência dos russos. Foram 150 mil toneladas a mais em 2018, em um total de 717,5 mil toneladas, com o país importando por Hong Kong e pelo continente 43,8% de toda a comercialização brasileira, contra 38,2% em 2017. O Egito aumentou suas aquisições em 18%, ficando na segunda posição entre os países importadores, com 181,1 mil toneladas. Em terceiro aparece o Chile, com quase 115 mil toneladas (+77%). Segundo a associação, além da Rússia, Irã e Estados Unidos tiveram queda significativa nas importações, de 40% e 16%, respectivamente. Estado Em Mato Grosso do Sul, o principal comprador de carne bovina foi o Chile, com US$ 142 milhões de receita. Em seguida, aparece Hong Kong (US$ 112 milhões), Irã (US$ 48 milhões), Arábia Saudita (US$ 39 milhões) e Egito (US$ 30 milhões). Expectativas As exportações brasileiras de carne bovina (in natura e processada) devem crescer 5% em volume neste ano em meio a uma esperada retomada de compras pela Rússia, disse nesta segunda-feira a Abrafrigo, que apontou embarques recordes de 1,639 milhão de toneladas em 2018.