Sem acordo com a Globo, Palmeiras pode ter apagão de jogos no Brasileiro

Por FOLHAPRESS - Foto: Divulgação Marcado para começar no último final de semana de abril, o Campeonato Brasileiro de 2019 pode sofrer um apagão nas transmissões de jogos do seu atual campeão na televisão. Sem avançar em negociações com o grupo Globo para TV aberta e pay-per-view desde o ano passado, o Palmeiras pode ter quase 70% das suas partidas sem serem mostradas ao vivo em nenhuma plataforma. O clube assinou com o Esporte Interativo -emissora do Grupo Turner- para os jogos em TV fechada. Assim como o Athletico-PR, recusou oferta do SporTV, que pertence à Globo. Dos clubes que estão na Série A em 2019, Bahia, Ceará, Fortaleza, Internacional e Santos também fecharam com a Turner. Esses clubes, porém, aceitaram a proposta da Globo para TV aberta e PPV. Como as regras no Brasil permitem a transmissão do jogo apenas quando os dois times têm contrato com a mesma emissora, o Palmeiras só estaria na TV quando enfrentasse as equipes que também fecharam com a Turner. Assim, teria os confrontos mostrados em apenas 12 das 38 rodadas, ou 68,5% das partidas. As 26 restantes dependeriam do acerto com o grupo Globo para transmissões abertas ou em PPV. Os dois dérbis contra o Corinthians, por exemplo, ficam fora da TV com o cenário atual. O mesmo aconteceria em jogo diante do São Paulo. É a mesma situação vivida pelo Athletico-PR, outro clube que também está em negociações com a Globo, ainda sem resolução. O Palmeiras quer rediscutir o modelo de negócios pretendido pela emissora tanto para a TV aberta quanto para o pay-per-view, algo que o canal reluta em fazer. O clube paulista não aceita a imposição de um redutor no contrato de TV aberta imposto pela Globo, o que é visto pela diretoria palmeirense como uma punição por ter assinado com o Esporte Interativo. A partir de 2019 até 2024, a Globo quer pagar R$ 600 milhões por ano para os 20 clubes da Série A do Brasileiro. No acordo para PPV também está previsto a aplicação do redutor no valor oferecido pela emissora. No contrato de TV aberta, a diminuição pode chegar a 20% por ano. No pay-per view, seriam 5,27% por partida. No documento enviado pela Globo às equipes, há no item 1.3 justificativa para pagar menos a quem assinou com o Esporte Interativo. Diz ser um princípio de isonomia com os demais times "uma vez que o clube celebrou contrato com outra empresa por meio do qual cedeu os direitos de transmissão de seus jogos nas temporadas de 2019 a 2024 em TV Fechada ("outro contrato") com potenciais consequências sobre os direitos referentes às transmissões de TV aberta." Há um trecho parecido na seção 2.1, que justifica os redutores no pay-per-view. No contrato encerrado em 2018, as emissoras do grupo Globo manejaram as transmissões como queriam, já que eram donas dos direitos sobre os 380 jogos da Série A. Em TV aberta, eram permitidos até três partidas por rodada, outras duas no SporTV e todas em pay-per-view. A entrada do Esporte Interativo atrapalhou os planos da Globo e é uma mudança tão significativa que a CBF ainda não divulgou a tabela do Brasileiro de 2019, o que já deveria ter acontecido. A reportagem apurou com dirigente do Palmeiras que o clube não considera a possibilidade de aceitar o redutor por não considerá-lo justo. O clube também contesta a fórmula de remuneração utilizada pela empresa para o PPV. Neste caso, o pagamento é feito de acordo com o número de torcedores de cada equipe que possuem o serviço. Eles participam de uma pesquisa feita com os assinantes. Existe um valor mínimo de remuneração. Para atrair Corinthians e Flamengo, clubes de maior torcida no país, a emissora aumentou essa quantia mínima para R$ 120 milhões a cada uma das equipes por temporada. O Palmeiras considera que Corinthians e Flamengo são privilegiados e têm um modelo próprio, diferente dos outros 18 clubes. Reclama também que a pesquisa de torcedores não deveria ser fator determinante para determinar o dinheiro a receber. A agremiação afirma ter estudos que mostram que os jogos da equipe em PPV atraem assinantes que torcem para outros times. Sem os direitos de transmissão dos jogos de Palmeiras e Athletico-PR no Brasileiro deste ano, o Grupo Globo fica sem 19% das partidas do torneio no seu sistema de pay-per-view, que tinha como principal atrativo a exibição de todos os 380 jogos da competição. A Globo afirma que ainda está em conversas com os dois clubes que não aceitaram a proposta até agora. A emissora diz que espera resolver as pendências ainda existentes o mais breve possível, respeitando os limites de mercado que enxerga em negociações desse tipo. Desde 1986, quando não comprou os direitos para a final entre Guarani e São Paulo (exibida pela extinta Rede Manchete), o Grupo Globo sempre transmitiu o jogo que definiu o campeão do Brasileiro. Isso pode não acontecer em 2019. Para executivos que estiveram envolvidos nas negociações para os direitos de transmissão do Brasileiro, a aplicação do redutor é uma tendência que a emissora quer aplicar para frear a concorrência para os próximos anos. Em 2020, por exemplo, a Globo terá de renegociar as transmissões de outras competições nacionais que considera importantes, como o Campeonato Paulista e a Copa do Brasil.