Plano nunca usado para acabar com farra de emprego na Sanesul custou mais de R$ 700 mil

Fortuna bancou Plano de Cargos e Remunerações que não foi implementado e estatal pode demitir 140 concursados com PPP

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Apesar de a Sanesul (Empresa de Saneamento Básico de Mato Grosso do Sul) ter contratado em 2017 a Quântica Empresa de Consultoria e Serviços Ltda por R$ 760 mil para elaborar um PCR (Plano de Cargos e Remunerações) aos funcionários, até esta segunda-feira (10) ele não foi implementado e os servidores seguem no antigo regime. Sob suspeitas de ter beneficiado apenas os responsáveis pela contratação, os funcionários reclamam ao Jornal Midiamax do sumiço até mesmo do compromisso firmado em Acordo Coletivo registrado no MTE (Ministério do Trabalho e Emprego) sobre a questão. “Eles contrataram essa empresa por um valor altíssimo e pagaram em um ano quase todo o contrato. Mas a única coisa que aconteceu foi reunir todo mundo no auditório para mostrar o plano, que era bom, e com a promessa de implementar até março de 2018. De repente, esse plano saiu do Acordo Coletivo e ninguém nunca mais falou dele”, conta uma funcionária da empresa que prefere não se identificar.
Em um ano, Sanesul pagou mais de 90% do contrato, mas não implementou PCR (Reprodução)
Segundo outro funcionário, havia previsão de mudança na carreira encanadores que operam retroescavadeira. “Quem opera a retroescavadeira ganha mais. Com o plano contratado, seria possível o encanador não precisar fazer o concurso para operador e aumentar o salário. Isso era muito bom. Mas essa nova diretoria apenas disse que não seria possível fazer a implementação por ‘falta de caixa'”. Só que, mesmo a empresa sendo de economia mista e tendo por obrigação dar transparência às contas, os funcionários acusam a Sanesul de manter dados em ‘caixa preta’. A denúncia é de servidores e acontece em meio a ação judicial que questiona suposta nomeação irregular do diretor-presidente, Walter Carneiro Júnior e de manutenção de ‘cabide de empregos’ do governo do Estado na Empresa. Além de não implementar o Plano, servidores afirmam que a diretoria investigada estaria usando a Avaliação de Desempenho para ameaçar os funcionários de demissão. “No Acordo Coletivo vigente, tiraram a promessa de implementar o Plano contratado e colocaram que, para definir a carreira, tem a Avaliação de Desempenho. Mas esses diretores, que estão no bolso do Governo do Estado, usam isso para ameaçar quem trabalha sério e questiona esse monte de nomeados que não acrescentam em nada, a não ser na folha de pagamento. Estão ameaçando demitir com a Avaliação e justificam que vai ser assim por causa da PPP (Parceria Público-Privada) a ser implementada”, denuncia um dos servidores.
Acordo Coletivo registrado no MTE com o compromisso de implementar o PCR (Reprodução)