Nudez garantida? Marcada por exibir corpos nus em 1990, novela Pantanal repetirá o apelo do nudismo na Globo?

Manchete era considerada uma emissora "sem pudor" e Globo é criticada tanto por minimizar a nudez da versão original, quanto por decidir "explorar corpos"

João Ramos Publicado em 27/02/2022, às 10h40

Em trailer dando uma prévia de "Pantanal", emissora já mostrou que cenas terão os atores sem roupa no bioma - (Foto: Reprodução/TV Globo)

Lançada nos últimos dias, a primeira chamada do remake da novela "Pantanal" está dando o que falar. Além de emocionar os sul-mato-grossenses, a produção também vem causando espanto a alguns "desmemoriados" que idolatram a primeira versão, mas se chocaram ao notar que a nudez estará presente na regravação feita pela TV Globo.

De forte apelo e muito explorada na década de 1990, especialmente nas produções da Rede Manchete, o recurso do nudismo era comum e corriqueiro em produtos de dramaturgia na televisão. Frequentemente, alguma atriz aparecia com os seios ou o bumbum à mostra em "Pantanal", e a sucessora "Ana Raio e Zé Trovão" não ficou atrás, chegando a exibir os seios da protagonista interpretada por Ingra Lyberato.

Depois de 32 anos, "Pantanal" segue no imaginário brasileiro, especialmente em Mato Grosso do Sul, já que a trama foi e voltou a ser gravada no Estado, prometendo levar para o país o modo como se vive na região, retratado na maior fidelidade possível. No entanto, como toda e qualquer ficção, "Pantanal" abusa da criatividade para inventar e reforçar mitos e estigmas do que se pensa sobre quem mora ali.

Fãs da versão original criticaram a Globo por colocar Juliana Paes "pelada" na primeira chamada e por exibir a atriz Bruna Linzmeyer com os seios parcialmente expostos. Nas duas situações, as personagens Maria Marruá e Madeleine estavam tomando banho no rio. Os breves takes foram o suficiente para que saudosistas mais antigos criticassem a "audácia" da Globo em veicular as cenas. Veja:

Desmemoriados?

O problema é que a versão original foi muito mais ousada em todos os sentidos possíveis do que se era aceito na televisão naquela época e até do que se é aceito hoje, e a nudez foi uma das maiores marcas de "Pantanal" da Manchete. Nas redes sociais, com destaque para o Twitter, dominado por um público mais jovem, há, inclusive, a exigência para que a TV Globo seja tão audaciosa quanto a emissora falida e extinta foi.

"Espero que a Globo se toque que um dos grandes motivos de 'Pantanal' ter feito sucesso foi o sex appeal que a novela tinha naquela época, eles botavam nudez e sexo de forma natural sem medo de serem criticados", opinou um fã. 

"Pantanal exibida na extinta TV Manchete foi um fenômeno! As cenas de nudez eram uma atração a parte! Achava-se que Juma virava onça! Se a Globo acha que vai repetir o mesmo sucesso está enganada! Ninguém mais acredita que mulher vira onça! Os tempos são outros! Temos a internet!", disparou outro.

Diferente do público mais "conservador", no Twitter, internautas querem mesmo é que o remake pese a mão no conteúdo de nudez, muito mais do que a chamada revelou que haverá. O trailer inicial com a prévia do que vem por aí mostrou que a Globo está mesmo disposta a preservar algumas características que fizeram da primeira versão um sucesso e a nudez é uma delas.

Se cenas pouco convencionais para a vênus platinada em horário nobre no século 21 já foram alvo de duras críticas, imagine se a obra original fosse reprisada: aí não daria pra dizer que "a culpa é da Globo". Na web, comenta-se que a Rede Manchete era uma emissora "sem pudor".