MS registra chuvas acima do esperado nos primeiros 15 dias de abril, aponta Cemtec 

Karina Campos| 19/04/2022- 10:50

(Foto: Henrique Arakaki/Midiamax)

Cemtec (Centro de Monitoramento do Tempo e do Clima) divulgou, nesta terça-feira (19), levantamento da margem de chuva em Mato Grosso do Sul. O relatório apontou que choveu mais do que o esperado nos primeiros 15 dias do mês de abril em grande parte do Estado, principalmente na região sul.

Os dados de precipitação climática do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), Inmet (Instituto Nacional de Meteorologia) e Cemaden (Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais) indicam que os valores de chuva acumulada variaram de 120 a 240 mm na região sul; até 80 mm na região pantaneira e leste; e 120 mm no centro-norte do MS.

O volume intenso das chuvas está associado a passagens de frentes frias, deslocamento de cavados, transporte de umidade, instabilidade termodinâmica local associada ao aquecimento diurno — chuvas isoladas típicas da época do ano — e que favoreceram a formação de áreas de instabilidades no Estado.

O registro entre os dias 1º e 15 de abril nas estações meteorológicas do Inmet/Semagro indica que nos municípios de Sidrolândia, Nova Alvorada do Sul e Ribas do Rio Pardo as chuvas ficaram acima de 80 mm no período. Por outro lado, no município de Camapuã, as chuvas ficaram abaixo de 25 mm.

Dentre as cidades recordistas no volume de água, o sistema de pluviômetro do Cemaden apontou que a região sudoeste do Estado, por exemplo, Itaquiraí e Mundo Novo, apresentaram chuvas acima de 150 mm, enquanto municípios, como Corumbá, Bela Vista e Três Lagoas as chuvas ficaram abaixo de 30 mm na primeira quinzena de abril deste ano.

chuvas de abril
Monitoramento aponta acumulados de chuva.

“Vale destacar que as chuvas intensas na região sudoeste, ocorreram devido à combinação de vários fatores meteorológicos. Em baixos níveis da atmosfera havia um cavado pré-frontal (sistema meteorológico que antecede a frente fria), aliado a um sistema de baixa pressão atmosférica no Paraguai e, também, um fluxo anômalo de noroeste — que transporta ar quente e úmido vindo da Amazônia”, esclarece o Cemtec.

Acumulado de chuvas

A explicação para as chuvas excessivas é do cavado anômalo da pressão atmosférica que passou pela Argentina, aliado também ao jato anômalo de altos níveis que atua sobre o oceano Atlântico, Paraguai, nordeste da Argentina, RS, SC e sul de MS.

A combinação destes vários ingredientes atmosféricos resultou em chuvas excessivas no sul de MS no dia 12 de abril, como em Iguatemi, onde um trecho da MS-180 cedeu após o temporal intenso.