Medo e ‘culpa de quem?’ dominam em revolta de consumidores sobre alta no preço do arroz em MS

Consumo em alta, produção menor e redução de oferta, além fatores climáticos influenciando: combinação infeliz para elevação de preçosElias Luz| 25/03/2022– 16:10

Arroz ficará mais caro próxima semana. Foto: Arquivo Midiamax

Uma combinação de fatores econômicos e climáticos vem mexendo com o bolso do brasileiro, fazendo com que os gastos com alimentos se multipliquem. Essa semana, o Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), que pertence à USP (Universidade de São Paulo), informou que o arroz ficará mais caro. A notícia mexeu com os sul-mato-grossenses e as discussões se acaloraram nas redes sociais.

Os comentários foram os mais diversos, mas o que predominou foi o medo evidente da população de trabalhar só para comer. Houve também leitores culpando o presidente e outros elogiando a medida em que zerou a alíquota do imposto de importação para diversos alimentos, embora não tenha incluído o arroz. Nos comentários ficaram claríssimas as preocupações da população com questões ambientais.

Certo mesmo é que, só neste mês – que ainda não acabou – o arroz ficou em 3,38% mais caro. O percentual, para apenas um produto, é alto e justifica a revolta do povo. Há pouco mais de 15 dias o valor da saca de 60 kg subiu para R$ 75 e esta semana o valor foi acrescido e, 1,72%, chegando a R$ 76,42. Entretanto, é válido ressaltar que este preço é do produtor para o atravessador. Ainda vai ter o frete para chegar aos mercados e, por fim, ao consumidor.

Além do arroz, os consumidores estão se deparando com altas históricas em praticamente todos os produtos hortifrútis. As exceções são apenas relacionadas com os produtos que estão em momento de safra e, mesmo assim, dependendo da distância até o Mato Grosso do Sul, podem chegar mais caros. No caso do arroz, os dois Estados que mais produzem no Brasil são Rio Grande do Sul e Santa Catarina. No entanto, outros Estados estão aumentando essa lista, como, por exemplo, Mato Grosso, Minas Gerais, Maranhão, Goiás, Tocantins, São Paulo e Mato Grosso do Sul.

Em nível mundial, o Brasil é o 10° em consumo global de arroz e o 50° em consumo per capita, muito distante dos países asiáticos. Segundo dados da FAO (Food and Agriculture Organization of the United Nations, sigla em inglês que significa Organização para a Alimentação e Agricultura), o consumo aparente per capita de arroz beneficiado no Brasil é de, aproximadamente, 46 kg por ano.

O Brasil foi autossuficiente em arroz até 2005, porém, voltou a ser deficitário nas safras seguintes, devido a variações na produção interna. Neste cenário, surgiram Uruguai e Argentina – importantes parceiros comerciais que viram no grande mercado consumidor brasileiro um destino para suas exportações.  O Brasil é o maior produtor e consumidor de arroz fora da Ásia. No mundo, o Brasil é o 10º maior produtor. Seu suprimento anual alcança, em média, 15 milhões de toneladas de arroz. O problema é que o consumo é maior do que a produção e, por ano, são importadas outras 400 mil toneladas. Em termos de estimativa, a oferta para este ano será 12% menor na produção nacional.