Laboratório monitora quanto de veneno vai parar nos rios da região sul

Laboratório de Análises Ambientais da Embrapa já está funcionando em Dourados e vai publicar relatórios anuais

Helio de Freitas, de Dourados
Laboratório custou R$ 3 milhões e já está funcionando em Dourados (Foto: Suelma Bonatto/Divulgação)
Já está funcionando em Dourados, a 233 km de Campo Grande, o Laboratório de Análises Ambientais que vai monitorar os resíduos de agrotóxico em rios da região sul de Mato Grosso do Sul.
Com investimento de R$ 3 milhões e instalado na sede da Embrapa Agropecuária Oeste, na saída para Caarapó, o laboratório vai emitir relatórios anuais sobre a qualidade da água na região que mais produz grãos no Estado e onde sempre houve temor de contaminação por produtos usados nas lavouras. O objetivo é monitorar as bacias hidrográficas dos rios Ivinhema, Dourados e Amambai, áreas de intensa atividade agrícola especialmente soja, milho e cana-de-açúcar. “Já iniciamos os trabalhos de monitoramento. Serão coletadas amostras quinzenais em vários rios da região sul de MS nesse primeiro momento. Coletaremos também amostras nos 12 municípios da região da Grande Dourados”, afirmou ao Campo Grande News o pesquisador da Embrapa Rômulo Penna Scorza Júnior, coordenador do laboratório. Inaugurado semana passada pelo presidente da Embrapa, Sebastião Barbosa, o laboratório é dotado de equipamentos modernos e foi construído em parceria entre a empresa de pesquisa, Ministério Público Federal, Ministério Público do Trabalho, Ministério Público de Mato Grosso do Sul e Instituto do Meio Ambiente de Dourados. Rômulo Scorza Júnior afirma que o laboratório vai permitir monitorar cientificamente as águas superficiais em Mato Grosso do Sul para identificar ou não a presença de 55 diferentes tipos de agrotóxicos “Nossos resultados anteriores eram voltados para comportamento ambiental de agrotóxicos em solos dos diferentes sistemas de produção no sul de MS. Iniciamos agora nossos trabalhos de monitoramento em água”, afirmou o pesquisador. Na opinião do procurador da República Marco Antônio Delfino de Almeida, o monitoramento gera equilíbrio de direitos e deveres de todos os setores envolvidos e acaba com os boatos que existem na região de Dourados sobre suposta contaminação da água por agrotóxico. “Vamos saber se a água é ou não é segura para o consumo. Essa é uma informação que temos o direito de ter. Precisamos saber se determinada atividade está influenciando ou não a nossa vida privada”, afirmou Marco Antônio.
Aplicação de agrotóxico em lavoura na região de Dourados (Foto: Divulgação/Embrapa)Aplicação de agrotóxico em lavoura na região de Dourados (Foto: Divulgação/Embrapa)
O laboratório – Em espaço de 361 metros quadrados, o laboratório conta com salas para recepção, acondicionamento e análise de amostras e tem capacidade de analisar 200 amostras mensais. De acordo com o técnico Paulo Henrique Vitro, todas as atividades analíticas estão padronizadas seguindo protocolos de boas práticas de laboratório e a legislação. Além dos relatórios anuais, as informações coletadas serão utilizadas para definir ações de redução dos impactos ambientais causados por eventual contaminação dos rios por agrotóxico. Projeto de 2015 - As pesquisas da Embrapa Agropecuária Oeste voltadas ao projeto começaram em dezembro de 2015 com a aquisição, pelo MPT, do equipamento chamado cromatógrafo gasoso com espectrômetro de massas, por R$ 378 mil. O equipamento separa e analisa simultaneamente as moléculas dos agrotóxicos das amostras de água, sendo possível identificar e quantificar o agrotóxico presente na amostra. Outro material considerado essencial são os padrões analíticos dos agrotóxicos mais utilizados nas três culturas de Mato Grosso do Sul – milho, soja e cana. Os padrões funcionam como uma biblioteca de agrotóxicos puros. De acordo com a Embrapa, foi desenvolvido método para identificar os produtos químicos de forma confiável, priorizando agrotóxicos mais utilizados nas três principais culturas agrícolas do estado. Scorza Júnior reforça que o potencial de contaminação de águas superficiais por agrotóxicos está relacionado à característica do produto, não só quanto à frequência de uso. "Os fatores estão relacionados a tipo de agrotóxico; a época em que o produto é aplicado e a ocorrência de chuvas intensas logo em seguida; e a proximidade dos campos agrícolas com as águas superficiais, locais onde não há proteção pelas matas ciliares".
As amostras serão coletadas em pontos onde o Imasul (Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul Imasul) já faz coleta de água para avaliação e monitoramento para identificar presença de compostos inorgânicos, como dejetos de esgoto e de indústria.
Laboratório custou R$ 3 milhões e vai divulgar relatórios anuais sobre a água dos rios da região sul (Foto: Suelma Bonatto/Divulgação)Laboratório custou R$ 3 milhões e vai divulgar relatórios anuais sobre a água dos rios da região sul (Foto: Suelma Bonatto/Divulgação)