Justiça nega tentativa do juiz Odilon em censurar vídeo com entrevista de ex-assessor ao Midiamax

Jedeão de Oliveira trabalhou 21 anos com o juiz

A Justiça Eleitoral negou a tentativa do juiz federal aposentado e candidato ao Governo de Mato Grosso do Sul pelo PDT, Odilon de Oliveira, de censurar o vídeo onde seu primo e ex-assessor, Jedeão de Oliveira detalha denúncias de que ele negociava a venda de sentenças. O ex-assessor trabalhou por 21 aos na 3ª Vara Federal de Campo Grande, tendo Odilon como seu chefe imediato. Na representação, Odilon disse que as informações têm finalidade eleitoreira, com objetivo de denegrir sua imagem perante o eleitorado, e que Jedeão agiu com vingança “utilizando-se de um vitimismo cínico” para prejudicar sua campanha. Ele ainda tentou calar seu primo, impedindo-o de dar novas declarações que não fossem em processos que ele responde. Ao negar a exclusão do vídeo onde Jedeão detalha as acusações, a Justiça entendeu que a reportagem do Midiamax não usou nada além de fatos amplamente divulgados pela imprensa, “que estão sob proteção da garantia constitucional da livre manifestação do pensamento”. Desde que deixou o cargo em Campo Grande, Jedeão tem morado em local incerto e não sabido, e afirmou à reportagem que ele e sua família têm sido alvo de ameaças, e por esta razão, com medo de morrer e pela segurança dos familiares, teme mostrar o rosto. Ele contou que, preocupado com o que poderia lhe acontecer e temendo por sua integridade física, registrou todo conteúdo de suas acusações contra Odilon, hoje candidato do PDT ao governo de Mato Grosso do Sul, num documento público, em um cartório no interior de São Paulo. Em uma entrevista reveladora, feita nos estúdios do Jornal Midiamax, Jedeão nega que tenha desviado R$ 11 milhões, e dá a sua versão dos fatos que, aponta, compravam que Odilon de Oliveira vendia sentenças favoráveis a traficantes que atuavam na fronteira do Brasil com o Paraguai. Jedeão afirmou, ainda, que serviu como uma espécie de ‘para-raios’ no período em que trabalhou na 3ª Vara, e frisa que chegou a ‘tirar prova’ das denúncias que recebia de que seu primo, agora ex-chefe, vendia sentenças. Odilon pediu direito de resposta, que ainda não foi analisado, e que a representação fosse colocada em sigilo, o que foi decretado pela Justiça. Após o prazo para apresentação das defesas, de 2 dias, a Procuradoria Regional Eleitoral emitirá seu parecer.

Debate político

As denúncias de Jedeão foram citadas pelo governador Reinaldo Azambuja, candidato à reeleição pelo PSDB, durante o debate do Jornal Midiamax, na segunda-feira (24); Juiz Odilon refutou a acusação. O tucano cobrou explicações ao adversário das acusações feitas por seu ‘primo’. “Você não é mais juiz,  e como candidato deve explicações à sociedade, não adianta só dizer que é armação política”, disparou Reinaldo durante o debate. Em nota, por meio de sua assessoria, Odilon de Oliveira negou as irregularidades, e se disse vítima de ‘leviana acusação do candidato do PSDB (Reinaldo)’, e destacou que têm sido alvo de ‘armação política montada para prejudicar’ sua candidatura ao governo estadual. Odilon afirmou, por meio de sua assessoria, que ele próprio demitiu Jedeão quando teve conhecimento dos desvios na Vara Federal que chefiava. Também afirma que o ex-diretor responde ação penal por ter se apropriado de valores apreendidos e destaca que solicitou ao TRF3 (Tribunal Regional Federal da 3ª Região) correição extraordinária que teriam comprovado os desvios praticados pelo homem que agora se diz vítima de ameaças. “Dois anos depois de sua demissão, após o juiz se firmar como pré-candidato ao governo, surge esse servidor, também a título de vingança, fazendo falsas acusações contra quem o puniu”, aponta trecho da nota.