Gasolina mais cara e ônibus lotados favorecem uso de bicicleta elétrica, que vira ‘febre’ entre diaristas

Tem gente que se virou para consertar o próprio veículo e outros acabaram deixando-o de lado

Gabriel Maymone Publicado em 17/10/2021, às 08h44

Bicicletas são vistas com mais frequências nas ruas de Campo Grande - Marcos Ermínio / Midiamax
A chegada da pandemia trouxe um grande dilema para a vida de Eunice Lúcia Bocalom, de 50 anos. Na época, a enfermeira trabalhava como cuidadora de idoso e babá, mas ficou sem ter como continuar usando o transporte público devido ao risco de contaminação por covid. A solução foi optar pela bicicleta elétrica, meio de transporte individual e não poluente que virou febre nos últimos anos.
"Tive que decidir entre continuar empregada ou ficar desempregada, porém, tinha que ter uma condução própria", lembra a profissional, que atualmente trabalha como diarista em um residencial fechado de Campo Grande. Ao Jornal Midiamax, ela diz que comprar a bike elétrica foi a melhor coisa que fez. "Diminuiu o tempo do trajeto de casa para o trabalho. Antes eu levava de 1h30 a 2h para ir de casa ao trabalho, mas agora levo cerca de 30 minutos. Mudou a minha vida", conta.
A aquisição de bicicletas elétricas é bem acessível e pode ser dividida em até 12 vezes, com parcelas inferiores a R$ 400. Além disso, não há gasto com combustível a não ser a energia elétrica, e tem benefícios mais óbvios, tais como evitar aglomeração em ônibus ou ficar esperando por carros de aplicativo e sofrer com sucessivos cancelamentos.
Assim, as vendas do meio de transporte continuam em alta, como garante o vendedor Bruno Batista. "Tem muito patrão comprando para funcionário. Compram por questões de economia, agilidade em chegar ao serviço e de não ficar dependendo de ônibus", relata.
No condomínio onde Eunice trabalha, ela conta que várias colegas também optaram pela bicicleta elétrica. "Tem umas 12 ou 13 colegas que têm bicicleta elétrica aqui no condomínio", conta.
Usuários relatam dificuldades com manutenção das bicicletas - Foto: Marcos Ermínio / Midiamax
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Empecilhos
Mas, assim como todo meio de locomoção, a bicicleta elétrica também precisa passar por manutenção e isso acaba sendo um problema para muitos usuários. Uma adepta a este modal, que preferiu não se identificar, relatou que, apesar de facilitar sua vida, precisou deixar a bicicleta parada. "Não tinha condição financeira, a manutenção é muito cara", reclamou. Apesar do problema, ela pensa em voltar a utilizar o meio de locomoção. "Com certeza, muda a vida da gente", pontua.
Problemas com pneu furado são a principal reclamação dos usuários de bicicletas elétricas em Campo Grande. Porém, Eunice deu um jeito para conseguir resolver a situação. "O problema é a questão da manutenção, pois é tudo muito caro. Fiz cursos pelo YouTube e eu mesma faço os remendos do pneu. Ele fura muito, porque a bicicleta é muito pesada", relatou.

Pneu furado é um dos principais problemas relatados por usuários de bicicletas elétricas em Campo Grande - Foto: Divulgação
Manutenção
O vendedor Bruno informa que as bicicletas que vende possuem garantia de 6 meses e explica que é necessário fazer manutenção preventiva periódica. "Quando o cliente compra, a bicicleta já sai da loja com uma revisão feita. Mas, orientamos fazer inspeção mecânica a cada 30 dias, aqui na loja mesmo", informa, comentando que o procedimento custa R$ 35.