Formol em procedimentos estéticos é nocivo à saúde, alerta Sociedade de Dermatologia

Desde 2009 a Anvisa proibe a venda do elemento em estabelecimentos

29 DEZ 19 - 14h:59FÁBIO ORUÊ 
Formol se popularizou em 2003 como um "facilitador" de alisamentos - Foto: Foto: Arquivo/ Correio do Estado
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No final de ano é comum que mulheres e homens se submetam a procedimentos capilares para as festas de Natal e réveillon, mas a exposição frequente a alisamentos, corriqueiro em salões de beleza, onde há uso do formol em altas concentrações, pode causar reações. O alerta é da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD), que afirma que a substância pode causar irritação, queimadura, descamação, queda de cabelo e até câncer, entre outros efeitos adversos. De acordo com a cartilha, desenvolvida pela entidade, a exposição crônica ao formol, ou substância que podem liberá-lo, pode causar reação alérgica, debilidade da visão e aumento do fígado ou ainda pode levar ao câncer no aparelho respiratório e leucemia. Apesar dos riscos, o formol continua sendo utilizado de forma irregular nos salões de beleza, garante a SBD, sendo que já foram encontrados traços da substância em vários procedimentos, como as chamadas escovas inteligente, marroquina, egípcia, de chocolate, selagem, botox capilar e etc. “Se o formol for inalado, pode provocar efeitos colaterais agudos, como falta de ar, tosse, dor de cabeça, além de provocar ardência nas vias respiratórias. Em longo prazo, outras complicações podem aparecer, como o câncer de nariz, boca, laringe e também hematológicos, como a leucemia, sendo que os profissionais que trabalham diariamente com o produto estão mais propícios a esses problemas”, disse o coordenador do Departamento de Cabelos da (SBD), Rodrigo Pirmez. “O formol se popularizou no Brasil em 2003 com a escova progressiva, já que ele consegue ser aplicado em um cabelo que já foi colorido, por exemplo. Além disso, o mecanismo de alisamento deste produto dá um aspecto brilhoso e também é compatível com outros tipos de alisamentos. Após relatos de casos de efeitos adversos, a Anvisa passou a investigar os malefícios do formol”, explicou Pirmez. Desde junho de 2009, a Resolução RDC nº 36, da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), proibiu a venda do formol em drogarias, farmácias, supermercados e lojas de conveniência. A legislação atual permite 0,2% do formol na composição de cosméticos, incluindo os alisantes. Segundo a Anvisa, neste percentual, o formol conserva somente, não tendo potencial para alisar os cabelos. A Agência diz ainda que o produto também é permitido para endurecedores de unhas na concentração de 5% e qualquer adição de formol em produtos prontos é crime. “Há empresas que para burlar a fiscalização lançam shampoos com efeito alisante. Porém, na verdade são alisantes disfarçados e geralmente contém ativos proibidos. Essas substâncias podem causar danos à córnea, queimaduras graves no couro cabeludo, quebra dos fios e queda dos cabelos. Além disso, a aplicação de produtos com adição de formol acima do permitido torna o fio de cabelo rígido, podendo estar mais suscetível à quebra ao pentear e prender os cabelos”, destacou a dermatologista Bruna Estrada. * Com assessoria