Coronavírus: O que se sabe e o que ainda é dúvida sobre o novo vírus que surgiu na China

Por G1

Amostra laboratorial do coronavírus, que pode causar desde resfriados comuns até SARS e MERS — Foto: Center for Desease Control and Prevention

A nova epidemia de coronavírus já matou 17 pessoas e infectou mais de 500 na China. Relatos da doença foram identificados em ao menos outros oito países: Estados Unidos, Japão, Tailândia, Taiwan, Coreia do Sul, Vietnã, Singapura e Arábia Saudita.

No Brasil, o Ministério da Saúde descartou cinco casos suspeitos. Segundo a pasta, os casos "não se enquadram na definição de caso suspeito da Organização Mundial da Saúde (OMS)".

Mas, por que este vírus está infectando tantas pessoas? Abaixo, confira o que se sabe e o que ainda falta esclarecer sobre o coronavírus:

  1. Qual é a origem do vírus?
  2. Onde surgiram os primeiros casos?
  3. Qual animal foi responsável pela transmissão?
  4. Onde estão as infecções?
  5. Onde ocorreu a primeira morte?
  6. Que medidas foram adotadas para evitar a proliferação do vírus?
  7. Como ocorre a transmissão?
  8. Quais são os sintomas?
  9. É um vírus que vem pra ficar ou vai 'desaparecer'?
  10. Qual é o status de transmissão entre países?
22 de janeiro de 2020  - Trabalhadores produzem máscaras em uma fábrica em Handan, na província de Hebei, no norte da China. País proibiu trens e aviões de deixar Wuhan, epicentro do surto de coronavírus. — Foto: STR / AFP

22 de janeiro de 2020 - Trabalhadores produzem máscaras em uma fábrica em Handan, na província de Hebei, no norte da China. País proibiu trens e aviões de deixar Wuhan, epicentro do surto de coronavírus. — Foto: STR / AFP

1. Qual é a origem do vírus?

O novo vírus é apontado como uma variação da família coronavírus. Os primeiros coronavírus foram identificados em meados da década de 1960, de acordo com o Ministério da Saúde.

A variação que está infectando diversas pessoas na China e em outros 6 países é conhecida tecnicamente como 2019-nCoV. Ainda não está claro como ocorreu a mutação que permitiu o surgimento do novo vírus.

Outras variações mais antigas de coronavírus, como SARS-CoV e MERS-CoV, são conhecidas pelos cientistas. Estas variações foram transmitidas entre gatos e humanos e entre dromedários e humanos, respectivamente.

2. Onde surgiram os primeiros casos?

A Organização Mundial de Saúde (OMS) emitiu o primeiro alerta para a doença em 31 de dezembro de 2019, depois que autoridades chinesas notificaram casos de uma misteriosa pneumonia na cidade de Wuhan, metrópole chinesa com 11 milhões de habitantes, sétima maior cidade da China e a número 42 do mundo. O tamanho é comparável com a cidade de São Paulo, que tem mais de 12 milhões de habitantes.

Esta epidemia estava atingindo pessoas que tiveram alguma associação a um mercado de frutos do mar em Wuhan – o que despertou a suspeita de que a transmissão desta variação de coronavírus ocorreu entre animais marinhos e humanos. O mercado foi fechado para limpeza e desinfecção.

3 . Qual animal foi responsável pela transmissão?

Ainda não se sabe qual foi o animal responsável nem como ele transmitiu a doença para os humanos, e nem mesmo se o novo vírus está associado a animais marinhos. Entretanto, uma pesquisa de cientistas chineses diz que a hipótese mais provável é que o animal seja a cobra.

4. Onde estão as infecções?

Até a manhã desta quinta-feira (23), foram registrados casos na China e em outros oito países: Estados Unidos, Japão, Tailândia, Taiwan, Coreia do Sul, Vietnã, Singapura e Arábia Saudita.

Na China, até quinta-feira, havia registro da doença em ao menos 14 localidades: Liaoning, Tianjin, Shandong, Pequim, Hubei, Chongquing, Sichuan, Hunan, Yunnan, Macau, Guangdong, Jiangxi, Zheijang e Wuhan.

Há ainda casos suspeitos em Hong Kong, nas Filipinas e na Austrália. No Brasil, cinco casos suspeitos foram descartados pelo Ministério da Saúde.

Dispersão do novo coronavírus pelo mundo — Foto: Rodrigo Sanches/Arte G1

Dispersão do novo coronavírus pelo mundo — Foto: Rodrigo Sanches/Arte G1

5. Onde ocorreu a primeira morte?

Na China, em 9 de janeiro. Um chinês de 61 anos foi a primeira vítima. O paciente foi hospitalizado com dificuldades de respiração e pneumonia grave, e morreu após uma parada cardíaca. Naquele momento, 41 pessoas já haviam se infectado.

6. Que medidas foram adotadas para evitar a proliferação do vírus?

Ao menos três localidades chinesas suspenderam a circulação do transporte público, uma medida para tentar evitar que o vírus se espalhe. Todas estão na província de Hubei.

Wuhan – considerada o epicentro da transmissão do vírus – foi a primeira localidade a adotar a medida, nesta quarta-feira (22).

Nesta quinta (23), outras duas cidades vizinhas a Wuahan – Huanggang e Ezhou – seguiram a mesma recomendação e suspenderam a circulação de trens.

Pequim cancelou as comemorações do Ano Novo Chinês e suspendeu a entrada de turistas. As festividades, que seguem o calendário lunar, começariam na sexta-feira (24) e durariam uma semana.

Fora da China, os Estados Unidos anunciam procedimentos de detecção do vírus em três importantes aeroportos do país, incluindo um em Nova York em 17 de janeiro. Além dos EUA, aeroportos na Turquia, na Rússia e na Austrália passaram a utilizar monitores infravermelhos para identificar possíveis casos da doença. O aeroporto de Heathrow, em Londres, separou um terminal só para os viajantes que chegam de regiões já afetadas pelo vírus.

7. Como ocorre a transmissão?

A transmissão de pessoa para pessoa foi "provada", admitiu o cientista chinês Zhong Nanshan à rede estatal CCTV em 20 de janeiro.

O que ainda precisa ser esclarecido, de acordo com o infectologista Leonardo Weissmann, é a capacidade de transmissão.

"O vírus é da mesma família dos coronavírus, mas, por ser novo, não se sabe quão contagioso ele é. Sabemos só que as pessoas foram até o mercado da China. Mas qual é o nível de contágio? Pode ser só via aérea, secreções?" – Leonardo Weissmann. infectologista.

Weissmann lembrou o caso do sarampo. Apesar de ser um vírus diferente, os cientistas sabem que um paciente pode transmitir para até outras 20 pessoas, o que o torna um vírus bastante contagioso.

Sobre o 2019-nCoV, não há ainda uma estatística do tipo, nem taxa de letalidade prevista pelos cientistas.

Outro ponto ainda a esclarecer está relacionado ao perfil dos pacientes. Os idosos geralmente são mais suscetíveis a casos mais graves por infecções do influenza, como o H1N1. Ainda não está claro se isso se repete entre as pessoas infectadas pelo 2019-nCoV. No caso da febre amarela, por exemplo, os homens são mais afetados nas infecções do Brasil. Os médicos ainda precisam traçar um perfil do paciente com o novo coronavírus.

8. Quais são os sintomas?

Foram identificados sintomas como febre, tosse, dificuldade em respirar e falta de ar. Em casos mais graves, há registro de pneumonia, insuficiência renal e síndrome respiratória aguda grave.

Entenda o que é e como age o coronavírus

Entenda o que é e como age o coronavírus

9. É um vírus que vem pra ficar ou vai 'desaparecer'?

Não se sabe ainda. Alguns vírus, como o da catapora, não voltam a causar a doença novamente após uma primeira infecção.

No caso do vírus da zika, por exemplo, o corpo responde e a mesma pessoa não passa a ser afetada novamente, o que gera uma redução natural no número de casos.

A ciência ainda precisa estudar se o 2019-nCoV gera uma resposta imune definitiva ou se uma pessoa pode ser infectada mais de uma vez.

10. Qual é o status de transmissão entre países?

Uma comissão foi criada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) para debater a gravidade do surto e sua capacidade de disseminação internacional. Nesta quarta-feira (22), os integrantes informaram que precisam de mais informações. Uma nova reunião foi marcada para esta quinta (23) para entender se o caso é uma nova emergência de saúde pública de interesse internacional.

Até o momento, esse tipo de alerta ocorreu apenas em casos raros de epidemias que exigem uma vigorosa resposta, como a gripe suína H1N1 (2009), o zika vírus (2016) e a febre ebola, que devastou parte da população da África Ocidental de 2014 a 2016 e ainda atinge a República democrática do Congo desde 2018.

Na China, sobe para 17 o número de mortos pelo coronavírus

Na China, sobe para 17 o número de mortos pelo coronavírus