Cidades podem abrigar biodiversidade

Com a crise climática, pensar no papel dos grandes centros urbanos para as próximas décadas é uma tarefa imprescindível na promoção da biodiversidade

Maria Antonia Naegele Publicado em 20/08/2021, às 09h22

Foto: Reprodução

O surgimento de golfinhos nadando no Grande Canal de Veneza surpreendeu o mundo no início do ano. Mas a cidade italiana não foi a única a receber animais silvestres dentro de seus limites. Ainda em 2020, um puma foi visto passeando pela região de Las Condes, bairro de classe alta da capital chilena. O animal desceu da Cordilheira dos Andes, caminhou durante algumas horas pelas ruas vazias, e inclusive tentou invadir uma escola. Sem falar em uma coruja-das-neves que foi vista dentro de um campo de beisebol, no Central Park, em Nova York. 

A última vez que um avistamento do tipo ocorreu na ilha de Manhattan foi em 1890. Neste ano, o famoso parque nova-iorquino também recebeu a visita de um coiote.

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Apesar das áreas urbanas serem consideradas uma terra arrasada para a biodiversidade, cientistas vêm mostrando que regiões do tipo exercem um importante papel na conservação de várias espécies.

Estudos indicam que, ao contrário do que se pensa, os centros urbanos não são locais ‘inférteis’ para a biodiversidade. No total, foram analisadas 147 cidades, em 54 foram avaliadas espécies de aves e, em 110, de vegetais, e descobriu-se que, em média, 8% das espécies de aves e 25% das espécies de plantas das regiões examinadas sobrevivem à urbanização do local.