Campo Grande já registrou mais de 448 acidentes com escorpião neste ano

Karina Campos| 06/05/2022- 16:15

Ilustrativa (Foto: Fala Povo/ Jornal Midiamax)
Campo Grande registrou aumento de 31,37% nas ocorrências de picada de escorpião, comparada ao primeiro trimestres do último ano. De janeiro a março, a Sesau (Secretaria Municipal de Saúde) foi notificada sobre 448 pacientes que receberam atendimento médico para tratar acidentes com o animal peçonhento.
Contra os quase 450 casos acumulados deste ano, os dados do CCZ (Centro de Controle de Zoonoses) apontam que, entre janeiro a março de 2020, foram 412 casos. Já no ano passado, foram 341 ocorrências. Diante do crescimento, a pasta emitiu alerta para cuidado com os ataques.
Segundo a veterinária Ana Paula Nogueira, responsável pelo Setor de Controle de Roedores, Animais Peçonhentos e Sinantrópicos, a incidência é comum nesta época do ano, pois a espécie costuma sair de bueiros e ralos, invadindo residência.
“As ocorrências deste ano são similares, não houve aumento significativo. Nos primeiros meses de cada ano, janeiro a março, há maior registro de chuvas e, logo, o calor. A consequência é a maior concentração de casos de picadas neste período”, explica.
Escorpião: quais existem em MS?

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Tityus serrulatus, o escorpião mais venenoso do país
O biólogo Isaías Pinheiro, do Civitox (Centro Integrado de Vigilância Toxicológica), conta que existe a predominância de três espécies no Estado: a Tityus serrulatus, que é o escorpião amarelo, que tem a cauda com serras, mais grossa. O Tityus confluens, que tem de 4 a 6 cm de comprimento; colorido geral amarelo escuro; pernas e palpos sem manchas e tronco escuro; porém muito semelhante ao Tityus serrulatus, mas sem serrilha na cauda. E o Tityus bahiensis, que tem o tronco escuro, pernas e palpos com manchas escuras e cauda marrom-avermelhada; ele não possui serrilha na cauda e o adulto mede cerca de 7 cm.

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Tityus confluens, o tipo mais comum e causa mais acidentes
Pinheiro explica que cerca de 98% dos acidentes envolvendo escorpiões em Mato Grosso do Sul são da espécie Tityus confluens, que têm a picada dolorosa, mas que geralmente não levam a maiores complicações e nem sequelas graves, como a morte.
“É importante que a pessoa sempre procure o serviço médico e faça uma foto do animal para que o profissional saiba qual a gravidade, se há necessidade de aplicar soro antiescorpiônico. Sempre que for possível e não arriscado, o animal também pode ser levado ao CCZ da cidade”.
Há soro antiescorpiônico em MS?
ataque de escorpião a duas crianças em um curto espaço de tempo reacendeu um grave alerta para as picadas desse animal, que podem levar a morte. Em caso de acidente, o paciente deve ser levado para tratamento imediato. Porém, em Mato Grosso do Sul nem todas as cidades disponibilizam do soro antiescorpiônico.
Segundo levantamento feito pelo Jornal Midiamax junto ao Ministério da Saúde, 21 cidades do Estado não possuem o soro antiescorpiônico. De janeiro até agora, a pasta enviou 240 frascos/ampolas do medicamento para MS.
A SES/MS (Secretaria de Estado de Saúde de MS) informou à reportagem que dependendo da gravidade é usado o soro específico para ataque de escorpião para neutralizar a peçonha no Estado.
Conforme a secretaria, nos casos de ataques naqueles municípios que não dispõem de unidade hospitalar referencial com o medicamento, os pacientes são transferidos para a cidade mais próxima ou sede de referência, quando necessário.
Confira as cidades que não possuem o antiescorpiônico:
Anastácio*
Glória de Dourados*
Paraíso das Águas*
Batayporã*
Japorã*
Paranhos
Corguinho*
Jaraguari*
Rochedo*
Deodápolis
Jardim
Santa Rita do Pardo
Douradina*
Ladário*
Sidrolândia
Eldorado
Maracaju
Terenos*
Figueirão
Novo Horizonte do Sul*
Vicentina
Legenda (*): Cidades que não tem unidades de referência.
Ao todo, conforme o Ministério da Saúde, o Estado tem 67 cidades com hospitais de referência para utilização de soros contra ataques de animais peçonhentos. Entretanto, 9 desses locais não possuem o soro antiescorpiônico.
À reportagem, o ministério ressaltou que, na falta do soro antiescorpiônico, poderá ser utilizado o soro antiaracnídeo, no qual foram liberados, de janeiro à maio, 210 frascos/ampolas para o Estado.
Vale ressaltar que as 12 cidades marcadas com asteriscos na tabela não têm hospitais de referência em tratamento para picadas com peçonhas. A tabela pode ser conferida neste link. O documento traz os nomes dos hospitais, endereços, telefones, CNES (Código Nacional de Estabelecimentos de Saúde) e atendimento disponível para acidentes com animais peçonhentos.
Conforme o Ministério da Saúde, as informações disponibilizadas são de responsabilidade da Secretaria Estadual de Saúde.
A secretaria informou ao Jornal Midiamax que o imunobiológico é utilizado somente em casos graves e aplicado em ambiente hospitalar. A secretaria informou que não há falta do imunobiológico em MS.
Segundo o Ministério da Saúde, as secretarias de Saúde dos estados são responsáveis por avaliar e indicar os hospitais mais adequados para administrar os soros para animais peçonhentos.
Além disso, o tratamento dos casos de acidentes com escorpião é feito apenas na rede dos hospitais do SUS (Sistema Único de Saúde) e é inteiramente gratuito, não sendo encontrado na rede particular.
Cuidados com escorpião
Se a pessoa for picada por um escorpião ou qualquer outro animal peçonhento, ela deve higienizar o local com água e sabão e procurar uma unidade de saúde o mais rápido possível para receber o atendimento adequado. Alguns cuidados podem ser tomados para evitar esse tipo de acidente.
Caso o morador encontre algum desses animais na residência, é recomendado fazer o recolhimento dele, colocando-o em um recipiente fechado, mas evitando o contato, e levá-lo ao CCZ (Centro de Controle de Zoonoses), onde será feita análise da espécie, principalmente em caso de acidente.
O proprietário do imóvel também pode solicitar uma inspeção na sua residência, seja no balcão da recepção do CCZ, em Campo Grande, ou via telefone, pelo 3313-5026 (horário comercial) ou no 3313-5000.
Moradores das cidades do interior devem procurar informações junto às respectivas secretarias de Saúde dos municípios.